O PRINCÍPIO DE SEMEAR E COLHER

Quando era supervisora pedagógica de uma escola, fiz um levantamento ao final de um bimestre de alguns alunos que haviam perdido média. Fiz uma agenda para conversar com cada aluno separadamente sobre o que haveria levado cada um a não conseguir atingir a média proposta pela escola.

Toda a minha conversa foi baseada no princípio da semeadura e colheita.

Eu sempre começava a conversa assim: A nota que você conseguiu abaixo da média em História, por exemplo, é fruto do que você semeou nesse bimestre em relação ao estudo de história.

O que você tem semeado para que esse seja o resultado colhido? Ouvia as mais diversas respostas como: muito tempo jogando futebol, videogames, deixar de entregar um trabalho ou fazer a lição de casa e até as muitas conversas durante as explicações do professor em sala. Este é um princípio claro e fácil de entendermos, pois todos temos alguma experiência de colher o que semeamos. Colheitas boas ou ruins dependem da semente.

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. (Gálatas 6.7.)

No Éden uma ordem foi dada a Adão: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gênesis 2.16- 17.) As conseqüências da desobediência foram reais. Semear e colher são processos de crescimento. Quantas experiências em nossa caminhada! Quantas semeaduras e colheitas! Se estivermos atentos, ponderando sobre as conseqüências de nossas escolhas, com certeza nós cresceremos. Semear e colher são absolutos de Deus, um princípio. Semear boas coisas, muitas vezes, pode ser um processo doloroso que requer paciência.

“Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes”. (Salmo 126.5-6)

A colheita depende da qualidade da semente, da terra onde foi semeada, dos cuidados durante o crescimento e da perseverança. Para “voltarmos com júbilo” após a colheita, com certeza temos que semear a “boa semente”.

Nós temos colhido em nossa sociedade o que tem sido semeado através da mídia, educação, tecnologia, governo, filosofias de gerenciamento e administração… Esta semeadura tem gerado uma colheita que influencia diretamente a cada um de nós como indivíduos, as instituições, as nações e a toda uma geração. Nós sabemos que existem meios que o inimigo usa com muita ousadia e perspicácia para aprisionar a mente. Ele tem cuidado da “má semente”, principalmente durante a infância, lançando sementes que poderão gerar frutos terríveis para cada geração. Os meios mais usados para a disseminação dessa semente, na atualidade, são: meios de comunicação e educação escolar.

Nós cristãos precisamos conhecer esse campo de batalha e impactarmos estas duas áreas com uma visão bíblica do mundo. Temos sido desafiados a isso, pois a mente, onde as fortalezas são levantadas, é o campo de batalha. Os meios de comunicação e a vida escolar têm contribuído para formar o pensamento desta geração.

Deus sempre nos alertou para que uma geração ensinasse e falasse de seus feitos a outra, para que tivéssemos uma boa colheita. Quando uma geração, uma nação, uma família, não age assim, as conseqüências são desastrosas para a próxima geração.

“O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor,e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus”. (Salmo 78.3-8.)

O sonho de Deus é que a Igreja, que somos nós, cristãos, seja a maior influência para a formação do pensamento de Deus em uma geração.

Implantar o reino de Deus na terra significa implantarmos o governo de Deus em todas as áreas da nossa sociedade. A educação, a televisão, o trabalho social, são áreas estratégicas onde podemos atuar, renovar e transformar a maneira de pensar de uma nação. Um fruto pode até demorar a aparecer, mas se foi semeado com os devidos cuidados, certamente a colheita será boa e dará boas sementes.

A nossa mente por muito tempo foi treinada a pensar sempre em relação ao que possa ser usado em proveito próprio, a curto prazo; por isso uma das dificuldades que temos é a de não nos preocuparmos com o que temos semeado para o futuro. Qual o benefício para minha família, qual proveito terei se eu tomar determinada atitude? Temos dificuldade de pensar a longo prazo: no mundo, na nação, na sociedade, na igreja. Uma vez que, Deus em sua Palavra sempre trata com grande freqüência sobre nações, cidades e povos, precisamos renovar esta maneira de pensar para que a nossa semeadura tenha frutos, e frutos eternos. Jesus agiu assim em toda a sua vida. Seu ministério, sua morte e ressurreição não estavam condicionados a um povo, a uma época. Prova disso é que a salvação chegou até nós. Aleluia! “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra”. (João 17.20.)

Como é lindo perceber que Jesus pensou a “longo prazo”! Nessa oração Jesus pensou em mim, em você e nas futuras gerações. A semente estava lançada, e as boas colheitas, “muitos feixes”, com certeza viriam.

 

Reflexão :

  • Você está vivendo alguma situação a qual você identifica que é conseqüência do que você semeou?
  • O que você tem semeado em sua família, no relacionamento com seus filhos? Lembre-se: a semente sempre reproduz o seu próprio fruto. Se amor, amor; se paciência, paciência…
  • O que você pode semear pensando em futuras gerações?

 

*Texto extraído do livro “Cristãos em tempo integral, Vivendo os princípios bíblicos”

Autora – Hélvia Alvim Freitas Brito.