O PRINCÍPIO DE UNIÃO

Lendo o capítulo anterior, como podemos pensar em união?

Todas as coisas foram criadas por Deus para viverem em harmonia. O princípio de união completa o princípio de individualidade. Todas as coisas, mesmo tendo características distintas, podem viver em harmonia. Em toda a criação de Deus podemos perceber isto. Na própria natureza cada elemento possui características diferentes, formando um todo harmônico. A água, as plantas, a terra, os animais, o homem, formam uma cadeia. Quando algum elo dessa cadeia falta, acontece o que chamamos de desequilíbrio.

O apóstolo Paulo nos fala sobre a unidade orgânica da igreja em 1 Coríntios 12.14-15 “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo […]”

Podemos compreender bem este princípio: cada membro com funções específicas, trabalhando em harmonia. O que traz essa união é a cabeça desse corpo que é única: Jesus.

Podemos também compreender este princípio observando uma organização ou empresa. Para que os recursos humanos sejam bem aproveitados é importante que as pessoas tenham habilidades, características e personalidades diferentes, não é bom que as pessoas tentem ser todas iguais. A diversidade traz riquezas e aumenta as possibilidades.

O que traz união numa empresa, por exemplo, é todos conhecerem claramente os objetivos, aonde se quer chegar, qual a missão, para que todos possam trabalhar, usarem suas competências e habilidades em prol de atingirem o alvo ou as metas estabelecidas. A maneira peculiar do trabalho do Pai, do Filho e do Espírito Santo nos mostra de maneira clara o princípio da individualidade e da união se completando, quando Jesus nos diz: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”. ( João 17.21.)

Jesus teve uma existência única, era Deus se fazendo homem. No entanto, Ele sabia o que veio fazer, o que o Pai havia planejado, e todas as suas ações eram em função de ver cumprido este plano.

Isso traz a unidade entre o Pai e o Filho e nos mostra a individualidade da missão de Jesus aqui na terra.

Na família, a união só acontecerá quando a individualidade não for um elemento de discórdia, quando compreendermos e aceitarmos o outro, promovendo a unidade mesmo na diversidade de gostos, personalidades e ritmos diferentes. É muito bom que um seja mais falante, outro mais reflexivo, um tenha habilidades manuais, outro seja mais intelectual, assim completamos um ao outro e reconhecemos que precisamos um do outro. A estratégia preferida do inimigo é quebrar a unidade da igreja, da família, das instituições, dos relacionamentos, começando com a intolerância à individualidade e com o engano de que todos precisam ser iguais para estarem unidos.

Não podemos nos deixar enganar quando algo sutilmente entra em nossa vida trazendo desunião.

Muitos escolhem o caminho de não se unirem a nada: “Não preciso congregar, não quero estar em aliança ou pacto com ninguém ou qualquer instituição, pois isto tira a minha liberdade de horários, interfere em minhas decisões ou me expõe demais”!

Outro extremo perigoso é a opção por uma uniformidade doentia, uma dependência completa de uma pessoa, uma instituição ou grupo, onde não se respeita as características que o próprio Deus concedeu a cada um de nós, e uma dessas características é a de fazermos escolhas.

A união vem pelo fato de estarmos em aliança, pacto, acordo, e não pelo fato de sermos iguais, o que seria impossível. A individualidade contribui para a riqueza e a interdependência nos relacionamentos e instituições. Creio que o coração de Deus pulsa forte para ver isto presente em nossas vidas, família e igreja; a nossa unidade vindo do amor incondicional.

Somente a expressão da união e o respeito às individualidades tornarão tanto as nossas vidas como as instituições sólidas, e poderemos dizer com convicção que “Tudo no seu Templo diz Glória”! (Salmo 29.9), pois o próprio Deus terá total liberdade de revelar-se completamente com toda sua glória e majestade.

 

Reflexão :

  • Você reconhece que precisa andar em aliança com o irmão, mesmo ele sendo diferente de você em tantas coisas?
  • Em sua família, quais têm sido os motivos de quebra da união?
  • Na igreja você tem trabalhado sabendo que a cabeça é Jesus e que cada um tem funções específicas que fazem com que o corpo funcione perfeitamente?
  • Você exige da sua equipe de trabalho uma “unidade falsa”, baseada no fato de que todos devem concordar com tudo, ou você alicerça essa unidade na aliança e no compromisso que vocês têm como equipe, buscando atingir um alvo único?

 

*Texto extraído do livro “Cristãos em tempo integral, Vivendo os princípios bíblicos”

Autora – Hélvia Alvim Freitas Brito.